Uma lâmina nas sombras - Parte 4

Dia 11 - Os dias tem sido cansativos, consegui um emprego como lenhador á alguns dias, em uma pequena vila no interior do reino, com ajuda do velho senhor que tem me acompanhado. Sempre chego na estalagem onde passo a noite estou completamente exausto e o cansaço é tamanho que acabei me esquecendo de escrever sobre os acontecimentos. A lua está cheia hoje, talvez seja um sinal para eu me concentrar nos meus propósitos, porém tem sido cada vez mais difícil fazer isto.
Ontem foi um dia... Diferente. Recebi meu pagamento pela manhã e, como de costume, fui direto à uma taverna nas proximidades para afogar as magoas. O tempo na prisão acabou comigo, já não posso beber tanto quanto gostaria. Para o meu azar, as outras pessoas perceberam o contraste que eu causo em meio aos seus conhecidos. A hostilidade só tem aumentado conforme os dias passam, percebo que o preconceito está realmente focado em minha pessoa, todos me olham como se eu fosse algum animal doente ou alguém que possuí algum pecado hediondo que é do conhecimento de todos. Quando adentrei a taverna, fui recebido mais uma vez com aqueles olhares de repulsa costumeiros, preferi não demonstrar nenhuma emoção e tomar logo meu trago para fugir deste mundo cruel.
E ali eu permaneci durante o fim da tarde, até tarde da noite, quando dois homens com chapéus ou grandes capuzes, a bebida não me permitiu gravar muitos detalhes, me arrastaram para fora e, sem nenhum motivo aparente, me deram um bela surra. Não tive forças para revidar, e como premio recebi alguns hematomas e,ao que tudo indica, uma costela quebrada, pois não consigo mais respirar normalmente.
Durante o dia de hoje tentei entender o acontecido, porém sem sucesso. Tenho apenas algumas teorias, seriam uma surra de cortesia por eu ser um forasteiro, por eu estar embriagado e possivelmente devo ter falado mais do que devia ou por minha aparência desgastada devido aos anos de clausura.
Pretendo descobrir quem foram meus companheiros naquela “dança” durante esta semana e espero ter sorte com isto, pois não me recordo de suas feições e ainda existe a possibilidade de uma nova agressão desmotivada, porém desta vez não vão me enfrentar despreparado.

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