Uma lâmina nas sombras - Parte 3

Dia 5 – Ainda não acredito que eu tenha conseguido escapar. Foi tudo tão... Repentino. Mas creio que a liberdade que me concederam será muito bem aproveitada.
Quando eu percebi que a porta da cela estava aberta, tive apenas tempo para pegar os meus escritos e a pena da mesinha de canto, enquanto os sinos tocavam freneticamente em uma das torres de vigia. Creio que os meus libertadores tenham causado problemas sérios aos guardas para tirar a atenção deles do corredor da minha cela.
Alias, escapar foi muito mais simples do que eu imaginei, tive apenas de me esgueirar pelas passagens das masmorras até chegar à um plano superior, onde uma pequena vela estava acesa sobre o parapeito da muralha. Quando me aproximei dela, notei que, abismo abaixo no meio do mar, um barco vazio flutuava nas ondas, agora mais calmas do que normalmente são. Me pareceu um convite, irrecusável diga-se de passagem.
Não pensei duas vezes e saltei, ignorando minha idade, agora avançada demais para este tipo de proeza. Pouco me lembro do banque contra a água, devo ter me afogado, pois acordei em um pequeno acampamento à beira da praia, onde um senhor de olhar simpático cozinhava algo em um pequeno caldeirão. Ele não fala muito, apenas disse para eu descansar e me alimentar direito e eu não pretendo contrariá-lo tão cedo.
Durante a tarde mudamos o local de descanso, agora estamos sob grandes pinheiros que exalam um odor de resina nauseante, mas eu gosto. Ser livre novamente é muito bom.

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