Uma lâmina nas sombras - Parte 3
Quando
eu percebi que a porta da cela estava aberta, tive apenas tempo para
pegar os meus escritos e a pena da mesinha de canto, enquanto os
sinos tocavam freneticamente em uma das torres de vigia. Creio que os
meus libertadores tenham causado problemas sérios aos guardas para
tirar a atenção deles do corredor da minha cela.
Alias,
escapar foi muito mais simples do que eu imaginei, tive apenas de me
esgueirar pelas passagens das masmorras até chegar à um plano
superior, onde uma pequena vela estava acesa sobre o parapeito da
muralha. Quando me aproximei dela, notei que, abismo abaixo no meio
do mar, um barco vazio flutuava nas ondas, agora mais calmas do que
normalmente são. Me pareceu um convite, irrecusável diga-se de
passagem.
Não
pensei duas vezes e saltei, ignorando minha idade, agora avançada
demais para este tipo de proeza. Pouco me lembro do banque contra a
água, devo ter me afogado, pois acordei em um pequeno acampamento à
beira da praia, onde um senhor de olhar simpático cozinhava algo em
um pequeno caldeirão. Ele não fala muito, apenas disse para eu
descansar e me alimentar direito e eu não pretendo contrariá-lo tão
cedo.
Durante
a tarde mudamos o local de descanso, agora estamos sob grandes
pinheiros que exalam um odor de resina nauseante, mas eu gosto. Ser
livre novamente é muito bom.
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