O castelo abandonado.
Porém sobre este castelo houvera relatos intrigantes que instigam a curiosidade de qualquer feiticeiro até nos tempos de hoje.
Diz-se que foi em tempos remotos às grandes explorações e mapeamento ocidental, justificando a falta de conhecimento do local onde se encontrara a construção e até mesmo, além do mais, conhecimento de uma região tão desolada como a descrita nos relatos, que esses acontecimentos a serem mostrados, supostamente ocorreram.
O início, mencionado em um diário, item particular de um mago ao que nos pareceu indicar, seria apenas uma rotineira viajem de abastecimento às zonas longínquas favorecidas por aquele reinado sem nome.
Parecia que este mago interessava-se muito pela natureza, desde particularidades como paisagens inusitadas até as forças que servem de extensão para sua atuação como os elementos naturais, demonstrando desde então o por quê desta aptidão por magia.Descreveu aquela manhã de viajem como "incomum" pois acostumado a ser o único provido de alguma dignidade real a fazer os percursos fronteiriços de abastecimento, tendo por obrigação ser a figura de representação do reino, percebeu-se acompanhado durante o trajeto por outras duas figuras ilustres, e mesmo em seuspensamentos descrevera:
"Tenho por dever em confiar na permissão concedido pelo meu lorde e dar-lhes conforto durante a viajem..."
Descrevera também a manhã como sendo a primeira em muitos anos que partiria para o norte e não ao costumeiro sul, sempre seguindo abaixo pelas conhecidas estradas com
aquelas paisagens vivas que sabia recontar como eram em todas as estações do ciclo solar.
"Certamente o motivo são o caçador e também esta mulher... Gostaria de não crer ao que aparenta, porém, ela é sim, uma necromante... Suas túnicas negras logicamente não passariam despercebidas por alguém sabido como eu..."
Rumando ao norte e com o passar do tempo, entende-se que ele, de fato, não havia seguido, nunca, mesmo em muitos anos, naquela direção pois em seus devaneios recordados acostumou em escrever sobre a desolação que os cercavam :
"Não acreditaria se contassem à mim em qualquer das tavernas ou estalagens que haveria neste mesmo reino um céu rubro em pleno sol sobre planícies de árvores mortas enterradas em neve, tendo seus galhos cortados por uma invisível força gélida que traz pelo ar o frio da morte consigo" senão "como diabos esta mulher está tão tranquila ? estamos em viajem o que parece ser cinco vezes o tempo da mais longa em que já estive e ainda não vislumbrei nem no mais longínquo horizonte qualquer sinal de fumaça de alguma chaminé para proteger contra este maldito frio que me tortura os ossos !"
Em algum determinado momento, depois de alguns dias em que pareceu ter esquecido sobre a existência de seu próprio diário, voltou a escrever novos relatos, agora com mais dureza nas palavras:
"O que meu Senhor estava pensando quando me incumbiu de tal tarefa ? será que foi ludibriado sobre uma região isolada necessitada, sendo estes os nativos ?"
Porém este pensamento o fez perceber como aqueles que o acompanhavam eram mesmo diferentes;
"Este caçador...mesmo neste frio que me faz tremer por debaixo de todas minhas roupas, túnicas e capas, não me faz notar enfraquecimento em seu olhar á frente sempre resoluto em procura de algo que ainda não fez questão de me contar..apenas essa jaqueta grosseira de pelos, com seu peito à mostra, esses vários colares e amuletos pendentes do pescoço, braços e punhos... Certamente veio de longe onde não aparar os próprios pelos de sua face é um costume e deixar os cabelos crescerem desajeitados sem ter um cuidado sequer, outro pior.cicatrizes pela pele toda, brutamontes ameaçador mas apenas precisaria de alguns murmúrios para acabar com ele..." Ele continua muito ainda e muito piora pois é visível que o mago não gostou do tal caçador.
Ao que ele se refere à mulher
"E esta jovem senhorita...com sua pele pálida parecendo até ter saído da própria neve que nos cerca mundos sem fim...é tão bela quanto frágil mas se envolve com tais atrevimentos contra os deuses que me faz pensar além do que vejo....o que eu vejo porém...seus cabelos negros até acima de suas curvas, que aliás salientam-se aos meus olhos toda vez que levanta sorrir para o nada vasto em nossa volta, sempre de costas para mim, vejo sombras no interior de suas coxas...e quando volta a sentar-se
naquele breve momento que enverga-se não consigo não ver sob a túnica seus ombros lisos e pele claramente macia, os montes que se formam em seu peito, eu poderia facilmente a desejar mas não me permitirei ceder tal luxúria em um momento alarmante com este !"
A partir deste ponto, parece que se perdeu muito dos relatos... Interpéries, sujeira e páginas rasgadas não nos deram opção senão supor sobre os acontecimentos que não serão teorizados aqui agora mas sim prosseguir do ponto que foram retomadas as anotações:
...
"Karell nos trouxe carne fresca, disse que dessa vez precisou se afastar ainda mais do acampamento e que nesse ritmo estaríamos sem provisões em no máximo 3 dias, pediu sobre algum possível avanço nas tentativas de Victória...certamente estamos perto agora, eu mesmo consigo vislumbrar sombras
se movendo ao longe entre as árvores sem folhas.Estão mais rápidas a cada avanço nosso e mais perceptivelmente humanoides também..espero que meu fogo consiga nos proteger mesmo adentrando os limites do local, quando o encontrarmos.
...
"Talvez eu entenda meu rei, nos sacrificar quem sabe seja o único método para livrar este mundo dessa maldição antes que ela tome forma, ele foi sábio em agir
rapidamente encontrando as pessoas certas..no fim, existimos para um propósito, estarei feliz em perecer sabendo que este foi o meu"
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"Victoria voltou hoje, nos disse que há poucos fantasmas que não tentaram a hostilizar mas entre eles nenhum ainda se atreve a ajudar, explicou que sendo assim obrigou-se a deixar seu espírito vagar e absorver a escuridão por sí só para saber como prosseguiremos em direção a sua fonte mas nem de longe permitiu que ela tocasse sua alma...como ela é valente, estar entre os mortos poderia ser aterrorizante para qualquer mulher, mas não para esta"
...
"Victoria é uma mulher sensacional, em muitos aspectos, não deveria estar com pensamentos tão indesejáveis para a ocasião em que nos encontramos mas após ela voltar e estar toda quente de febre e suor sou eu o responsável em banhá-la... Karell quase sempre está fora procurando por comida e nos deixa abrigados, com Victória aos meus cuidados.
Após criar meu fogo e derreter o gelo fazendo-o água, é preciso despi-la...a quem estou enganando? estou parecendo que não gosto do que faço...a banho em meus braços e posso vê-la nua em sua beleza, seus seios são fartos e proporcionais ao seu corpo, suas pernas lisas e sem pelos desajeitados, sinto a suavidez de sua traseira sobre minhas pernas e entre suas coxas um calor característico...poxa, se ao menos ele estivesse consciente..."
...
"Estávamos evitando isso há algum tempo porém não queríamos aceitar apenas..mesmo tendo passado 15 luas a esperança não pode nos deixar, no entanto Karell explicou que ele já estava enfraquecido havia metade de nossa jornada até então e seria o mais sábio sacrificá-lo para algum fim senão deixá-lo morrer e acabar por ser inútil;Foi a primeira vez que comi carne de cavalo como havia sido de lobo, esquilo e tigre branco."
...
"Encontramos! Estamos dentro! O frio das câmaras e corredores são pesados e notavelmente malignos porém não há vento que nos castiga e meu fogo parece continuar afastando essas criaturas que agora nos observam a todo momento... Na verdade há uma agora mesmo parada no corredor em minha frente olhando-me fixamente, seus movimentos grotescos me dão calafrios. Precisamos nos manter no circulo de luz que providencio, para ter algum descanso..porém estou enfraquecendo... Há tantos salões aqui. Nenhuma pista ainda."
...
"Victória diz que esse reino foi dizimado durante uma noite em que um aventureiro voltara de sua jornada portando um artefato que realizaria o desejo mais profundo de qualquer homem, pois esse mesmo aventureiro humilde como simplório havia dito ter sido agraciado com alguns sacos de ouro e tantas outras vacas na mesma noite, horas antes.
Feliz e satisfeito a levou para seu soberano que em luto pelo seu primogênito havia alguns anos, poderia lhe agradar conseguir trazê-lo de volta
para a vida..."hora" me falou Victória sorrindo com sarcasmo "ninguém pode tentar trazer de volta aqueles que passaram para o outro lado....e suceder!"
"no momento em que segurou o artefato, quis isso, e a morte varreu toda sua esperança de vez, amaldiçoando esse distante reino pela eternidade bem... Com morte. ela me disse que o problema é que esses espíritos estão sem paciência e querem descansar, por isso viemos...não tinha acreditado muito antes de encontrar o castelo, na outra vez que ela havia me explicado mas agora nem o mais cético deveria duvidar."
...
"Necromancia é uma arte notável, já não tenho um porquê para negar isso à mim mesmo... Sempre a imaginei como uma monstruosidade mundana porém não aceitava enxergar quão difícil é lidar com as trevas da morte e as criaturas atormentadas nas quais as pessoas se transformam, creio que são os ditos fantasmas, espíritos e outras, abominações, como estas que vagam pelos corredores infindáveis deste castelo..."
...
"Agora entendo a dificuldade em encontrar essa colossal estrutura...é um lugar abandonado, esquecido no tempo e magicamente escondido para não ser adentrado por nenhuma alma vivente pelo resto da eternidade; Victória sofreu muito para descobrir a fissura mágica que escondia o sítio porém o ritual para trazê-lo de volta ao nosso plano, foi pior...quase a esvaiu totalmente... Foram muitos dias de angústia até que as feridas e cortes estancassem... E sua pele já pálida, corasse novamente...
Se não fosse por Karell conhecer tão bem a arte de curar ferimentos, usando aquelas folhas que havia eu seus pertences, teríamos que voltar e morrer no caminho."
...
"Resolvemos prosseguir. Karell diz que preciso me esforçar mais em manter a chama ardendo, estou sem foco...sem energia mas todos dependem disso;houvera oportunidades para essas aparições quase tocarem Victória..eles desejam a vida, estão desesperados, não aceitaram morrer porém parece-nos que será a última etapa se os vislumbres de minha amiga estiverem corretos, faremos a última refeição para então da sala do trono seguirmos até o pequeno quarto onde ainda está o caixão com o corpo do príncipe... Creio que será o fim para todos... Até lá preciso me concentrar"
Agora, entenda que não há mais nada escrito, descrito ou rubricado no restante das páginas.Provavelmente após encontrarem o príncipe que, inegavelmente era o objetivo,
pereceram, não se sabe quando ou como;Alguns entendidos em necromancia supõem que a ultima tarefa realizada fora o ou reanimação do cadáver, para que a tentativa de seu pai fosse subjugada finalmente, pois assim mostraria para a morte que, por mais que tentemos, apenas conseguiremos trazer de volta uma imitação malfeita e destruída da vida.
O curioso na história e que faz os eruditos tão interessados nela na verdade nada mais é o desejo por tal artefato que em suas concepções foi utilizado para funções vãs e ainda, que registros concebem descrições quase que exatas de Karell e Victória, porém se tratando de uma jovem bruxa ávida por magia negra, realizava ritos de carne e sangue, condenada à morte, fugitiva e um militar perito em terrenos e sobrevivência, porém capturado, condenado de crimes de guerra, também fugitivo.
No entanto, essas semelhanças são passagens de livros muito antigos que registram outros livros mais antigos nos impossibilitando o rastreamento de ano ou lugar dos acontecimentos.
E por fim, o mais peculiar de todos os mistérios... Até hoje, nada se encontrou sobre o castelo, nem restos do mago ou nada vinculado aos outros que seja físico... Nos frustrando em saber como que o diário está em minhas mãos agora..e para isso encontrei uma resposta conveniente...na passagem em que diz estar na sala do trono, imagino que tenha encontrado tal artefato pois como a necromante havia dito que "rezava a lenda", o Rei havia desejado a vida de seu filho ainda em seu assento, tornando em teoria, a estadia do instrumento mágico no local durante milênios, pois nada me deixa com mais certeza do que a última página e sua mensagem :
"Saiba que encontrei felicidade em minha morte, pois se há alguém para ler essa palavras, meu propósito foi cumprido"
O mago desejou que, não importasse como, seu diário fosse encontrado e seu propósito, que até agora podemos especular sobre apenas, fosse reconhecido. Quem sabe se pudéssemos ter acesso às folhas perdidas saberíamos o que tudo representou, porém há mistérios que são melhores permanecerem desconhecidos.
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